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China vai proibir meios-volantes. Saiba as razões

Carro desportivo vermelho brilhante com faróis LED exposto em showroom moderno.

O Ministério da Indústria e Tecnologias da Informação da China (MIIT), depois de já ter causado agitação no sector com limitações aos puxadores retráteis, avançou agora com mais uma medida que promete obrigar a alterações de projecto. A nova directiva aponta directamente aos volantes sem aro superior, também conhecidos no mercado como meios-volantes, decretando o seu fim nos automóveis novos vendidos no país.

A decisão surge enquadrada na nova norma GB 11557-202X, que impõe requisitos de segurança e de ensaio mais rigorosos. Na prática, os construtores que apostaram neste desenho - como a Tesla, que o popularizou no Model S e no Model X, a Lexus e marcas chinesas como a IM Motors - terão de voltar a desenhar o comando de direcção para continuarem a operar no mercado chinês.

Proibição dos volantes sem aro superior na China: quando entra em vigor

Segundo a GB 11557-202X, a partir de 1 de janeiro de 2027 todos os veículos novos comercializados na China terão de prescindir dos meios-volantes.

Para os modelos que já estejam homologados, o período de adaptação deverá ser de cerca de 13 meses para completar a transição (fonte: CarNewsChina).

Razões para a proibição dos volantes sem aro superior

O regulador chinês identifica três problemas principais que tornam os meios-volantes incompatíveis com os novos critérios de segurança.

Em primeiro lugar, a norma passa a exigir ensaios do volante em 10 pontos específicos distribuídos ao longo do aro. Num volante sem a parte superior, alguns desses pontos deixam de existir, o que inviabiliza o cumprimento do procedimento de teste e, por consequência, a homologação.

Em segundo lugar, há dados que reforçam a preocupação com a protecção do condutor: os volantes (independentemente do tipo) estão associados a 46% das lesões sofridas pelos condutores em caso de acidente (fonte: Autohome). Sem um aro contínuo, como acontece num volante circular, o meio-volante perde eficácia como superfície de amortecimento. Assim, em colisões secundárias, aumenta a probabilidade de a cabeça do condutor embater na coluna de direcção ou no painel de instrumentos.

Por fim, os reguladores alertam que o formato irregular pode interferir com a abertura segura da almofada insuflável de segurança do condutor. O desenho pode gerar padrões de ruptura imprevisíveis e, com isso, projectar fragmentos potencialmente perigosos na direcção do ocupante - um cenário que a nova norma proíbe explicitamente.

Manuseamento difícil em condução real

A decisão não se prende apenas com o comportamento em acidente: a utilização diária também pesou. Embora estes meios-volantes lembrem soluções típicas de competição, não costumam estar acompanhados por uma direcção tão directa como a de um carro de pista.

Na prática, para virar totalmente para um lado e para o outro é frequente ser necessário mais do que uma volta do volante, sobretudo em manobras exigentes como estacionamento ou desvios de emergência. Sem a secção superior, aumenta o risco de erro, com condutores a tentarem agarrar uma zona inexistente do aro em momentos críticos.

A principal excepção tecnológica são os sistemas de direcção por comando electrónico, nos quais não existe ligação física directa entre volante e rodas, sendo a transmissão feita electronicamente - como no caso da Tesla Cybertruck ou nas soluções já apresentadas pela Lexus. Estes sistemas podem permitir menos de uma volta de extremo a extremo; ainda assim, mesmo nesses cenários, os volantes sem aro superior não passariam a ser permitidos ao abrigo da nova regra.

Impacto para marcas e condutores

Para os fabricantes, a consequência mais imediata será a necessidade de desenvolver variantes específicas para a China, substituindo os meios-volantes por volantes de aro completo, sem comprometer ergonomia, comandos no volante e calibração dos sistemas de assistência à condução.

Para os consumidores, esta alteração tende a trazer maior uniformidade: a adaptação entre veículos diferentes fica mais fácil e reduz-se a curva de aprendizagem associada a um comando menos convencional - algo particularmente relevante em frotas, serviços de mobilidade e veículos partilhados, onde o condutor muda de carro com frequência.

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