Com o PencilVac, a Dyson leva a miniaturização ao limite. Este novo aspirador vertical, com um invulgar formato tubular de 38 mm de diâmetro, promete ser leve e ágil. Contudo, será que os compromissos inerentes a esta proeza de engenharia são aceitáveis no uso diário? Para responder, testámo-lo durante várias semanas.
A Dyson sempre procurou desafiar as convenções. Depois de popularizar a aspiração sem saco, de reinventar o secador de cabelo e, mais tarde, o purificador de ar, a marca britânica colocou a si própria um novo desafio: integrar um aspirador completo num tubo tão fino como um cabo de vassoura. Foi assim que nasceu o PencilVac.
No papel, a ideia é apelativa. Trata-se de um aspirador de apenas 1,8 kg, cujo conjunto - motor Hyperdymium, depósito, bateria e filtro - cabe num cilindro de 38 mm de diâmetro, exactamente o mesmo do Airwrap. O objectivo não é competir com os modelos mais robustos da gama, como o V16 Piston Animal ou o Gen5 Detect, mas sim inaugurar uma categoria: um aspirador auxiliar ultramanejável, concebido para pavimentos duros e limpezas rápidas do dia a dia.
Não podíamos ignorar uma inovação deste tipo. Por isso, utilizámos o PencilVac ao longo de várias semanas.
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O que apreciámos no Dyson PencilVac
Uma proeza de engenharia
O primeiro contacto com o PencilVac provoca um efeito “uau” pouco habitual no universo dos electrodomésticos. É um objecto bonito e surpreendentemente esguio. O corpo em preto mate, inspirado nos códigos estéticos da nova geração Dyson, dá-lhe o aspecto premium pelo qual a marca se tornou conhecida.
A proeza técnica está na própria arquitectura do aspirador. O motor, que roda a 140 000 rpm, o depósito com compressão, o filtro e a bateria removível encontram-se todos alojados no cabo de 38 mm de diâmetro. É difícil encontrar qualquer componente saliente.
A base de carregamento magnética é igualmente bem pensada: basta aproximar o aparelho da base para este encaixar e começar a carregar. Não há suporte de parede para aparafusar nem ligações incómodas. A base também acomoda o acessório dois-em-um e é suficientemente compacta para caber num canto da cozinha ou do corredor, algo ideal para quem vive em casas pequenas.
O PencilVac é tão elegante quanto discreto. Nunca imaginaríamos escrever isto sobre um aspirador. Muito bem!
Leve e manobrável
Com 1,8 kg, incluindo a escova, o PencilVac é incrivelmente leve. Enquanto um V16 Piston Animal ou um Gen5 Detect acabam por cansar o pulso em utilizações prolongadas, o PencilVac manuseia-se sem esforço. Ainda bem, pois a sua autonomia - à qual voltaremos - restringe o tempo de limpeza. Retira-se da base para uma aspiração rápida e volta a ser pousado trinta segundos depois. Este formato incentiva uma utilização de “pegar e usar” (aspirar migalhas após o pequeno-almoço ou dar uma passagem rápida na entrada), e não grandes sessões de limpeza.
A esta leveza junta-se uma excelente manobrabilidade. Para tornar os movimentos mais simples, os engenheiros desenvolveram a escova Fluffycones. Os seus quatro meios-cones, que giram em sentidos opostos, permitem deslocações em todas as direcções: empurrar para a frente, puxar para trás ou rodar de lado para acompanhar um rodapé. O aspirador responde a cada movimento do pulso com uma fluidez desconcertante.
É fácil acabar a contornar os pés da mesa, desenhando oitos no chão, com uma facilidade que nenhum aspirador vertical convencional consegue igualar. O PencilVac também pode ficar completamente na horizontal para limpar sob móveis baixos. É, por isso, nos espaços mais apertados - entre móveis, debaixo de um sofá ou ao longo de um armário de cozinha - que este aparelho mostra todo o seu potencial.
Laser duplo e escova antiemaranhamento
A Dyson causou impacto ao introduzir o laser verde no V15 Detect. O PencilVac recupera esta funcionalidade e duplica-a, com um laser à frente e outro atrás. Onde há incómodo, não há prazer. Em pavimentos duros, o resultado é impressionante. Poeiras finas, cabelos e pelos de animais que não se vêem a olho nu surgem imediatamente sob o feixe verde. É uma verdadeira vantagem no quotidiano, tornando a limpeza mais metódica e, admitamo-lo, quase satisfatória.
Outro ponto conseguido: a promessa antiemaranhamento é cumprida. O desenho cónico das Fluffycones conduz naturalmente os cabelos até à ponta estreita dos cones, onde se soltam sem se enrolarem. Após várias semanas de testes numa casa com cabelos compridos e pelos de animais, a escova manteve-se limpa.
O que gostámos menos no Dyson PencilVac
Potência de aspiração insuficiente
O PencilVac anuncia 55 AW de potência, enquanto o V16 Piston Animal chega aos 315 AW. Naturalmente, não esperávamos prestações equivalentes num formato tão compacto, mas, mesmo aceitando o seu posicionamento como aparelho auxiliar, nem sempre é suficiente.
No modo Eco, é frequente ser necessário passar várias vezes no mesmo local para remover poeira fina, apesar de esta ser claramente visível com o laser. O modo Medium oferece resultados mais convincentes na limpeza habitual, mas reduz a autonomia. Já o modo Boost deve ficar reservado para situações urgentes, pois consome a bateria muito depressa.
No fim de contas, o laser duplo acaba por jogar contra a Dyson: ao revelar a poeira de forma tão clara, expõe também as limitações do PencilVac. Além disso, o PencilVac destina-se exclusivamente a pavimentos duros: nada de tapetes ou alcatifas. A escova Fluffycones simplesmente não foi concebida para esse tipo de superfície e, de qualquer forma, o conjunto motor/aspiração não teria capacidade suficiente. Considerando o seu preço, é uma limitação muito difícil de aceitar.
Depósito demasiado pequeno e manutenção morosa
Por ser tão compacto, o depósito do PencilVac é minúsculo (0,08 litros!). A Dyson integrou um sistema de compressão automática dos resíduos para optimizar a capacidade útil, mas este não faz milagres perante cabelos compridos, pelos de animais ou detritos sólidos, que não podem ser comprimidos. Com animais de estimação ou numa casa com várias pessoas, o depósito enche a uma velocidade surpreendente.
E esvaziá-lo torna tudo ainda mais complicado. O mecanismo de esvaziamento tipo “seringa” - empurra-se o depósito para baixo para expelir a poeira comprimida - parece uma boa solução em teoria. Na prática, poeiras finas e pequenos resíduos introduzem-se no mecanismo deslizante e acabam por bloqueá-lo. É então preciso forçar, desmontar manualmente as peças, limpá-las e voltar a montar tudo. O que deveria ser uma manutenção simples transforma-se numa tarefa mais demorada do que seria desejável. A aplicação MyDyson disponibiliza, felizmente, tutoriais em vídeo quase indispensáveis para perceber o procedimento. Ainda assim, está longe de ser intuitivo.
Um preço astronómico para o que oferece
Para lá dos pavimentos duros, o PencilVac não faz muito mais. O tubo não é amovível, o que impede a utilização como aspirador de mão. Embora o formato comprido permita chegar facilmente ao topo de um armário ou ao tecto, aspirar um sofá, um colchão ou um banco de automóvel exige contorcionismo - ou é mesmo impossível. A ausência de uma mini escova turbo entre os acessórios incluídos reforça esta sensação.
A autonomia é, previsivelmente, mediana. Conte com cerca de 35 minutos no modo Eco - aquele que aspira pior -, 25 minutos no modo Medium e apenas 19 minutos no Boost. Chega para um estúdio ou um T1 com pavimentos duros, mas é escasso para um apartamento maior, sobretudo porque, por vezes, é necessário insistir em algumas zonas. A bateria removível permite comprar uma segunda unidade, mas representa uma despesa adicional.
A última - e má - surpresa é o ruído. O PencilVac emite um silvo agudo bastante marcado, medido a 74 dB no modo Medium e até 84 dB em Boost, valores surpreendentemente elevados.
Num aspirador vendido por 499 €, é difícil aceitar este conjunto de limitações, apesar da proeza técnica.
PencilWash: a versão de lavagem por 349 €
A Dyson estende a filosofia “Pencil” ao PencilWash, um lava-pavimentos duros lançado por 349 €, ou seja, menos 150 € do que o PencilVac. Mantém o mesmo cabo de 38 mm e um peso contido de 2,2 kg. Desta vez, a cabeça utiliza um único rolo de microfibra de alta densidade, com 72 000 filamentos/cm², que roda a 650 rpm.
O aparelho não inclui qualquer função de aspiração nem filtro, uma opção deliberada para evitar maus odores e a proliferação de bactérias. O reservatório de 300 ml permitiria cobrir até 110 m².
Para quem já tem um aspirador convencional e procura um complemento para lavar rapidamente pavimentos duros, o PencilWash poderá ser um investimento mais pertinente - e mais acessível - do que o PencilVac. No entanto, a sua autonomia também é muito limitada.
A quem se destina o Dyson PencilVac?
Com o PencilVac, a Dyson dirige-se a um público muito específico: habitantes de cidades que vivem em casas pequenas ou médias - um estúdio ou um T1 - e têm apenas pavimentos duros, como parquet, ladrilho ou vinil. Se vive sozinho ou em casal, sem animais de estimação muito peludos, e a sua necessidade principal é pegar rapidamente no aspirador para uma passagem depois da refeição ou antes de receber visitas, o PencilVac adapta-se perfeitamente a esta rotina.
Também pode ter lugar como aspirador auxiliar numa habitação maior, complementando um modelo principal mais potente e versátil. Pense-se, por exemplo, num apartamento familiar em que o PencilVac permanece na base, na cozinha, para limpezas rápidas, enquanto um V16 ou um robô aspirador assegura a maior parte do trabalho.
Em contrapartida, se tem tapetes ou alcatifas, animais de pelo comprido, uma casa grande para limpar ou procura um único aspirador capaz de fazer tudo, não é a escolha certa.
Por fim, a verdadeira questão é saber se este uso tão específico justifica os 499 euros de preço de entrada.
A nossa opinião sobre o Dyson PencilVac
O PencilVac é um objecto fascinante. A Dyson apresenta aqui uma demonstração técnica impressionante: colocar um aspirador funcional num tubo de 38 mm é um feito industrial, e a manobrabilidade resultante não tem equivalente no mercado.
Contudo, depois de passar o deslumbramento inicial, a realidade diária impõe-se. A potência de aspiração é demasiado modesta para garantir uma limpeza satisfatória numa só passagem, o depósito fica cheio demasiado depressa, o sistema de esvaziamento ainda não é suficientemente fiável e a falta de versatilidade reduz o aparelho a uma função muito limitada. Falhas ainda mais difíceis de aceitar num PencilVac de 499 euros, um preço premium para um produto que, pela sua concepção, apenas pode ser um aspirador auxiliar.
O conceito é, sem dúvida, promissor. A Dyson poderá estar a lançar as bases de uma nova categoria de electrodomésticos “de precisão” para habitantes de cidades. Porém, tal como está, esta primeira geração exige demasiados compromissos para convencer plenamente. Ficamos à espera do que se segue.
Dyson PencilVac
499 €
Nota global
6.0/10
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