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A Edgewing, para desenvolver o futuro caça de sexta geração do Reino Unido, Itália e Japão, recebeu o primeiro contrato.

Quatro engenheiros discutem modelo digital de avião em hangar com janelas amplas e aeronaves ao fundo.

O Global Combat Air Programme (GCAP) - iniciativa que junta o Reino Unido, a Itália e o Japão para criar um caça de sexta geração - entrou agora numa fase mais tangível. O programa registou um novo avanço com a atribuição de um contrato-chave à empresa conjunta Edgewing, criada especificamente para liderar o desenho da futura aeronave. A decisão assinala o arranque de uma etapa mais concreta do projeto, focada em avançar com a arquitetura e o desenvolvimento do sistema de combate aéreo de próxima geração.

De acordo com a Leonardo, a agência do programa GCAP formalizou este acordo no âmbito da fase inicial de desenvolvimento, abrindo caminho a trabalhos ligados ao desenho conceptual e preliminar do futuro avião. Neste enquadramento, a Edgewing terá um papel central na definição da estrutura do sistema, na integração de sensores e na arquitetura digital, pontos considerados críticos para uma plataforma pensada para operar em ambientes altamente conectados e complexos. “Este contrato representa um momento importante para o GCAP, já que as atividades que antes eram realizadas ao abrigo de contratos de três nações passam agora a ser conduzidas como parte de um programa internacional em pleno,” afirmou Masami Oka, diretor executivo da agência GCAP.

Convém recordar que a Edgewing foi anunciada em 2025 como a entidade conjunta responsável pelo desenvolvimento do caça, reunindo os principais atores industriais do programa: BAE Systems, Leonardo e Mitsubishi Heavy Industries. Como já tinha sido referido, a sua criação respondeu à necessidade de consolidar uma estrutura industrial unificada, capaz de coordenar esforços tecnológicos e produtivos entre os três países participantes.

O contrato agora adjudicado reforça esse modelo, colocando a Edgewing no centro do desenvolvimento do GCAP - não apenas no que diz respeito ao avião em si, mas também na integração de um sistema mais amplo que deverá incluir capacidades de combate em rede, processamento avançado de dados e coordenação com plataformas não tripuladas.

Neste sentido, o GCAP, lançado em 2022, resulta da convergência entre o programa britânico Tempest e o japonês F-X, formando uma iniciativa trinacional que procura desenvolver um “sistema de sistemas”, no qual o caça tripulado operará em conjunto com drones, sensores distribuídos e redes de informação em tempo real. Esta abordagem pretende responder às exigências dos futuros cenários de combate, em que a superioridade aérea dependerá tanto da plataforma como da sua integração com outros meios.

Entre as tecnologias previstas destacam-se capacidades furtivas avançadas, novos motores, inteligência artificial aplicada ao apoio à tomada de decisões e o emprego de aeronaves não tripuladas do tipo Loyal Wingman. Estas características colocam o GCAP entre os principais desenvolvimentos em curso a nível mundial, em competição direta com programas como o FCAS europeu e o projeto norte-americano de caça de sexta geração F-47.

Com este novo passo, o GCAP continua a consolidar a sua estrutura industrial e a avançar para fases mais maduras de desenho e desenvolvimento, com o objetivo de entrar ao serviço a meio da próxima década, num contexto em que a cooperação internacional se revela determinante.

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