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Um especialista mostra como purgar radiadores para distribuir melhor o calor em casa e poupar energia de imediato.

Homem a testar o radiador com termómetro e recipiente com água numa sala luminosa e acolhedora.

O inverno entra devagar em casa e, de repente, o radiador soa como um aquário. Em cima está frio, em baixo a escaldar, e mesmo assim as mãos continuam geladas. O ar no circuito rouba calor - e com ele, dinheiro. Um instalador de aquecimento com muitos anos de experiência mostra como purgar em poucos minutos, orientar melhor o calor dentro de casa e poupar energia de imediato. Sem caixa de ferramentas e sem riscos. Só precisa de uma pequena chave e da coragem de dar um toque no purgador.

Ele pousa a mão no radiador do corredor, acena com a cabeça e dá um toque no metal, como quem avalia uma melancia. “Estás a ouvir?”, pergunta, no exacto momento em que começa um borbulhar discreto. Depois tira do bolso do casaco a pequena chave quadrada, coloca uma taça por baixo e um assobio quase delicado enche a divisão. Um sopro de ar húmido. Uma poça pequena. E, de repente, toda a superfície fica quente. Ele sorri, como se tivesse acabado de descobrir uma gaveta secreta. E deixa a porta apenas entreaberta.

Como perceber que o aquecimento tem ar no circuito - e quanto isso custa

O sinal mais típico é simples: a parte superior do radiador mantém-se morna ou fria, enquanto a parte inferior está quente. A pessoa aumenta o termóstato, fica impaciente e volta a aumentar. Só que o sistema está a lutar contra bolhas de ar em vez de aquecer as divisões. Ar dentro do radiador é energia desperdiçada. O caudal de água diminui, a bomba trabalha mais tempo e a caldeira entra em ciclos com maior frequência. A sensação é a de que o aquecimento “perdeu força” - na verdade, tem é ar a mais.

Num caso concreto, num prédio antigo com tectos altos, a família R. tinha três radiadores “a meio gás” que ao fim do dia faziam ruído de borbulhar. Depois de os purgar, a temperatura de superfície do radiador da casa de banho subiu 8 graus, medida com um termómetro de infravermelhos simples. Nessa mesma noite, a caldeira a gás funcionou menos 45 minutos. Se levar isto para toda a época de aquecimento, chega-se rapidamente a 5 a 10% de poupança - sem tecnologia nova, apenas ao libertar o ar. Nota-se na factura das despesas de condomínio/consumos.

E de onde vem esse ar? Pode entrar ao repor água no circuito, através de microfugas, ou por variações de pressão quando o sistema aquece e arrefece. As microbolhas tendem a acumular-se “no topo” da instalação, ou seja, nos andares superiores e em radiadores mais altos. Quando o caudal aí enfraquece, as bolsas de ar acabam por bloquear as passagens como se fossem tampões. O circuito fica irregular: algumas divisões aquecem demasiado, outras ficam subalimentadas. Purgar volta a “alisar” o fluxo - e é nessa altura que o calor passa a distribuir-se com muito mais eficiência.

Purgar radiadores como um profissional: mais simples do que parece

Passo a passo: desligue o aquecimento, pare a bomba de circulação e aguarde 20 a 30 minutos. Uma taça pequena, um pano, uma chave de purga - não é preciso mais. Comece pelo ponto mais alto, no piso mais afastado do gerador de calor, e avance divisão a divisão. Abra o purgador um quarto de volta, encoste a taça, espere pelo assobio, deixe correr um pouco de água e volte a fechar. O som é como abrir uma bebida com gás - e é bom sinal. Depois, vá ao manómetro do aquecimento: com a instalação fria, é habitual ver entre 1,2 e 1,8 bar. Se faltar pressão, reponha pelo tubo de enchimento, devagar e sem pressas.

Todos conhecemos aquele pensamento: “É só um bocadinho de borbulhar, isso passa.” Quase nunca passa. Erros comuns? Purgar com a bomba a trabalhar, o que puxa ar novo e transforma isto numa perseguição sem fim. Ou abrir demasiado o purgador, a água sai em jacto, a pessoa assusta-se e fecha de repente. Não é grave - só fica molhado. Melhor: purgar com o radiador apenas morno, pano à mão e movimentos pequenos. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Uma vez no outono e outra a meio do inverno chega para a maioria das casas.

O especialista levanta o dedo, como se fosse acrescentar uma nota de rodapé. Dois minutos com a chave de purga valem mais do que uma hora com o termóstato no máximo. Se, depois disso, ainda houver zonas frias, vale a pena verificar se a válvula de retorno (ligação de retorno) não está demasiado estrangulada, ou ajustar a bomba para uma curva mais baixa e constante.

“Purgar é a manutenção mais pequena do mundo - e a que dá o maior efeito imediato. Primeiro tira-se o ar; depois afinam-se os termóstatos. Nunca ao contrário.”

  • Ordem: comece em cima, longe do gerador de calor, e siga para baixo.
  • Ferramentas: chave de purga, pano, taça pequena, lanterna.
  • Pressão: confirme após purgar e reponha com cuidado se necessário.
  • Teste: 20 minutos depois, volte a tocar - a superfície deve estar uniformemente quente.

Direccionar o calor dentro de casa: pequenos gestos, grande impacto

Distribuir calor é como gerir trânsito: quando os caminhos estão livres, tudo flui melhor. Móveis encostados aos radiadores são engarrafamentos; cortinados compridos são cancelas. Retire coberturas, limpe pó das lâminas, não esconda os termóstatos atrás do sofá. As portas fazem de maestro: abertas quando quer que o ar quente avance para o corredor; fechadas quando pretende mantê-lo na divisão. Uma folha reflectora na parede exterior ajuda a devolver o calor radiante para a sala em vez de o “entregar” à fachada. Depois de purgar, confirme a pressão do sistema - caso contrário, a casa arrefece mesmo com tubos quentes.

Os termóstatos trabalham melhor com definições moderadas. A posição 3 corresponde, de forma aproximada, a 20 graus; a posição 5 raramente traz conforto - traz sobretudo mais perdas. Quem mantém 19 graus durante o dia e quer 20 a 21 graus ao fim da tarde dá mais estabilidade ao funcionamento e reduz os ciclos constantes. A afinação fina consegue-se pelas ligações de retorno: mais abertas nos radiadores mais afastados, um pouco mais fechadas nos que estão perto da caldeira. Esta “sensibilidade hidráulica” faz com que todas as superfícies aqueçam ao mesmo tempo, em vez de umas “dispararem” e outras ficarem para trás.

Há também rotinas simples que ajudam. Uma vez por mês, “apalpe” os radiadores: passe a mão e confirme se o calor chega de forma homogénea. Se algum ficar para trás, não vale a pena irritar-se - vá buscar a chave, solte o ar e está feito. Poupar energia não tem de ser penoso. E quando ventilar à noite, faça-o de forma curta e com corrente de ar, em vez de deixar a janela entreaberta durante horas. Assim, o calor residual fica nas paredes e a caldeira trabalha menos. E sim, a app no termóstato é útil, mas a mão no metal não mente.

O que fica: pensar o calor em vez de apenas “aumentar”

Nota-se de imediato quando um radiador volta a “respirar” depois de purgado. O silêncio na divisão. A superfície quente por igual. Isto não é bem-estar - é física - e uma pequena vitória sobre os custos mensais. Ao retirar o ar, dá-se folga à bomba e um caminho limpo à água. O resto são hábitos: desimpedir passagens de calor, escolher bem os termóstatos, usar portas de forma consciente. Detalhes que parecem banais, mas que juntos funcionam como uma actualização para toda a casa. Talvez seja esse o encanto: transformar borbulhar em calor em cinco minutos, sem gastar um euro. E amanhã emprestar a chave ao vizinho.

Ponto-chave Detalhe Vantagem para o leitor
Purgar na ordem correcta Começar em cima, iniciar no radiador mais afastado e seguir para baixo Resultado rápido, menos trabalho repetido
Controlar a pressão Depois de purgar, apontar para 1,2–1,8 bar com a instalação fria Calor estável, sem arrefecer apesar de tubos quentes
Libertar os caminhos do calor Afastar móveis, encurtar cortinados, remover pó, aplicar folha reflectora Mais calor na divisão, menor consumo

Perguntas frequentes:

  • Com que frequência devo purgar os radiadores? Em grande parte das casas, uma a duas vezes por época de aquecimento é suficiente. Após intervenções no sistema ou se houver muito borbulhar, pode fazer uma vez extra.
  • Começo por cima ou por baixo? Por cima. O ar acumula-se nos pontos mais altos. Comece no radiador mais afastado, no piso superior, e desça gradualmente.
  • Como sei que terminei? O assobio pára, surge um fluxo de água estável e a superfície do radiador começa a aquecer de forma mais uniforme. Volte a testar passados 20 minutos.
  • E se a pressão ficar baixa depois de purgar? Reponha lentamente pelo tubo de enchimento até o ponteiro ficar na zona verde. Sem pressa e em pequenos passos.
  • Posso estragar alguma coisa ao fazer isto? Se abrir o purgador apenas um pouco e sem força, praticamente não. Algumas gotas são normais - tenha o pano preparado.

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